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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

PERSEGUINDO A VINGANÇA - 19ª PARTE.



                Ainda estava escuro, quando Tião ouviu os primeiros galos cantarem pelas redondezas. Alguns dos motoristas que pernoitaram no pátio do posto, já acionavam a partida dos seus caminhões, quiçá, para aquecê-los antes de empreender viajem, trazendo com o ruído dos motores o odor de fumaça e óleo diesel em combustão.
                   O jovem colocou-se em pé, dirigindo-se a torneira Do lavabo existente lado de fora do pequeno banheiro adjacente ao seu alojamento, levando uma velha toalha  no pescoço, e uma escova de dentes com a pasta já colocada. Após sua higiene matinal, dirigiu-se a lanchonete para tomar um rápido café e em seguida dirigir-se as bombas de abastecimento, estava ansioso para escutar os comentários cotidianos típicos de uma pequena cidade interiorana.
                   Pedro que ainda estava por ali, aprontando-se para ir para casa, foi logo lhe falando:
                   _Morreu mais um ontem à noite!
                   _Morreu matado! – Completou o velho.
                   Tião mantendo a calma e mostrando desconhecimento perplexidade e principalmente curiosidade, foi logo perguntando:
                   _Gente conhecida?!
                   _Edi Bala. – Respondeu o velho.
                 _Onte os pulicias passaram aqui, e me contaram que tinha havido um crime e que alguém tinha matado o Edi perto da casa dele.
                   _Deram três tiros no peito dele, bem no coração! Continuou reportando-lhe o velho.
                   _Mas já sabe quem foi que matou o sujeito?! – Perguntou-lhe Tião, querendo tirar mais informações do velho.
                   _Vai sabê quem foi!?! – Respondeu Pedro.
                   _Os Pulicia, disse que pode ter sido vingança, pois o tar morto não era flor que se cheire, já tinham matado muita gente de encomenda. – Prosseguiu  o velho.
                   _Na verdade foi uma limpa! – Continuou o velho demonstrando que o crime pouco lhe abalara ou que lhe trouxesse alguma surpresa.
                   O dia todo os comentários que se ouvia pela cidade era a morte de Edi Bala, ocorrido na noite anterior, porém ninguém imaginava que o autor dos fatídicos disparos estava ali junto com eles trabalhando e rindo como sempre fazia. Tião se divertia em ouvir os relatos e as hipóteses de como o crime havia acontecido.
                   Uns falavam que a morte dele havia sido encomendada por um fazendeiro cujo irmão havia sido assassinado e que supostamente quem teria sido o pistoleiro seria o Edi. Outros diziam que seria a própria polícia que o havia matado, e assim por diante.
                   Tião, não sentia remorso pelo ocorrido, pelo contrário, em seu peito havia regozijo, pois tinham cumprido em parte a promessa que fizera ao lado do corpo sem vida do seu saudoso pai. Porém ainda faltava um.
                   O vento suave da tarde soprava seus negros cabelos, e ele mirava a sombra dos morros ao longe, vez e outra seu olhar voltava para a poeirenta estrada e lhe batia a saudade da mãe e da irmãzinha que um dia deixara em Porto dos Gaúchos.
                   A noite chegou mansamente para o Jovem, trazendo-lhe boas recordações do perfume dos cabelos de sua amada, que ele não via hora de abraça-la, beijá-la e finalmente poder possuí-la como um homem deseja possuir uma linda mulher.
                  Sentiu necessidade de caminhar, pelas ruelas de Rosário, outrora conhecida como “Nossa Senhora do Rio Acima”, até chegar próximo da Igreja Evangélica que sua amada frequentava, talvez com o intuito de poder vê-la, nem que fosse por alguns segundos e de longe. As luzes da Igrejinha estavam apagadas, pois não era dia de culto.
                   Tião então retornou para seu quartinho anexo à borracharia, para mais uma noite de descanso, desta vez não havia fantasmas em seus sonhos, pois no seu íntimo havia certeza de um dever cumprido.

CONTINUA......

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