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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010



Foi assim que me contaram ( III)

O fato que irei narrar agora aconteceu em uma região outrora marcada pela disputa possessória.

Como todos já sabem, que a disputa por território já é milenar, e a historia da humanidade esta marcada por estes conflitos. Algumas destas disputas perduram até os dias atuais, como é o caso do conflito entre Árabes e Judeus, onde hoje se encontra o Estado de Israel.

Muitas vidas foram ceifadas na conquista e na disputa por novos ou antigos territórios.

Ao explanar minha narração, irei usar nomes e locais fictícios, pois os conflitos ocorridos deixaram cicatrizes nas famílias que de uma forma ou de outra estiveram nela envolvida.

Em uma região denominada “Gleba do Tamanduá”, existente no falado Nortão do Estado de Mato Grosso, uma família recém chegada na região, usando de títulos de propriedades falsificados, tentaram se apossar de uma vasta área de terras. Estas terras eram ricas em madeiras, o que aguçava ainda mais a cobiça dos homens.

Ao tentar adentrar em uma área de um rico e poderoso proprietário de terras, aproveitando-se da morosidade da Justiça em decidir as pendengas possessórias, deram origem a um grande conflito armado.

O rico proprietário das terras objeto da cobiça dos invasores contratou pistoleiros para manter a posse de sua área e repelir qualquer tentativa de invasão. E assim foi se agravando o conflito desencadeado naquela região.

Os falsários invasores, com o intuito de não permitir o rastreamento dos títulos falsificados utilizados por eles para ingressar na propriedade de outrem, deram início a fragmentação dos documentos em áreas menores, vendendo a terceiros incautos que ignoravam o vício existente sobre as escrituras.

Os grileiros invasores também associaram-se a autoridades policiais do estado, com o propósito de ter cobertura para seus ilícitos atos, conseguindo assim que a Polícia Militar de outra região do Estado procedesse uma operação no local, com o evidente propósito de extrair do local os homens que haviam sido colocados pelo Rico Fazendeiro com a intenção de manter a posse da área que precisavam invadir.

Os policiais militares fizeram a operação no local do conflito e detiveram os seguranças que lá estavam trazendo-os para o presídio na sede do Município, deixando a área livre para que os invasores perpetrassem sua intenção esbulhativa.

Porém é que todos ignoravam, é que dos seguranças que estavam no local, dois havia ficado escondidos no mato, e fortemente armados com espingardas de grosso calibre.

Com a proximidade da noite, os invasores que se encontravam em uma propriedade vizinha do local onde houvera a operação policial, festejavando a breve vitória, disparavam suas armas talvez para o auto e gritando de regozijo, e decerto até embriagando-se, o que era ouvido pelos pistoleiros que encontravam embrenhados na mata.

Já em altas horas da noite, pistoleiros contratados pelos invasores, dirigiram-se a propriedade onde houvera a operação policial, munidos com galões de combustível quiçá com a intenção de queimar a pequena casa lá edificada e definitivamente se apossarem da área.

Junto com este grupo de pistoleiros havia um muito conhecido na região por sua periculosidade, que atendia pela alcunha de “Uruguaio”. Uruguaio ia à frente do grupo munido com um galão de óleo diesel o que denunciava ainda mais a intenção do grupo em atear fogo naquela casa edificada com o propósito de abrigar os seguranças que impediam a invasão da área.

Ao se aproximarem do alvo que tinham intenção de incendiar, escutou-se um estampido do calibre doze disparada de dentro da mata, cujo barulho ecoou no silêncio da noite escura e estrelada da selva de transição amazônica.

O disparo havia sido feito por um dos seguranças que ainda estava em posição de defesa e que até então, tanto os pistoleiros, como os invasores que os haviam contratados ignoravam que ainda estivessem no local.

Uruguaio fora alvejado pelo tiro da espingarda na altura do abdômen caindo ao chão agonizando de dor. Socorrido pelos seus companheiros e retirado do local, veio a falecer mais tarde em conseqüência do mortal ferimento. Daquele dia em diante os conflitos se agravaram, e muitas das famílias envolvidas choraram os seus mortos.

Naquele local, onde houvera estes incidentes, somente ficaram as recordações daqueles dias de violência e até hoje me pergunto se aquela casa onde ocorreram os fatos ora narrados ainda se encontra lá, ou fora carcomida pelos cupins. Esta é a lição que se tira destes conflitos, sobra-se somente a dor e o sofrimento das famílias das vítimas.

Foi assim que me contaram...

Nilton Flávio Ribeiro – 07/01/2010 – twitter.com/niltonfr



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